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Os Manguezais

Manguezais são o conjunto das comunidades vegetais costeiras, típico das regiões tropicais e subtropicais, de clima quente. Desenvolvem-se nas enseadas, estuários e lagunas de água salgada e tranqüila, avançando, às vezes, pelas margens dos rios que deságuam no mar, até onde alcança a salinidade. Apresentam flora e fauna típicas e são considerados os berçários dos mares porque abrigam larvas de inúmeras espécies de peixes e crustáceos.

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Também proporcionam a sobrevivência das comunidades humanas que vivem da venda e do consumo de mariscos e pescados. Alimentam as áreas costeiras, fornecendo nutrientes que vão fazer parte das cadeias alimentares, que resultam em peixes de pequeno e grande porte utilizados na alimentação humana. Cerca de 70% da população de peixes do mundo depende dos manguezais, podendo este índice chegar a 97% em algumas regiões.

mangue O conjunto de manguezais, do Sul e extremo Sul da Bahia, localizado entre os municípios de Valença e Mucuri, num total de aproximadamente 70 mil hectares, representa mais de 80% das áreas de manguezais da Bahia. Desses, a maior parte se encontra nos municípios de Canavieiras e Belmonte. É considerável o potencial econômico desses ecossistemas, suas importância ecológica, turística, científica e geomorfológica, além da contribuição direta para a manutenção de muitas famílias e para a geração de receita e divisas para os municípios.

Conforme estudo realizado para a Secretaria de Turismo e Esporte da Prefeitura Municipal de Canavieiras (1999), pelos biólogos Sara Maria Brito Araújo, Anders Schmidt e Maurício Arantes, foram observados, nos manguezais dos
municípios de Belmonte e Canavieiras, os seguintes tipos de caranguejos, que são os seres mais visíveis e os que maior interesse despertam:

• Guaiamum – Grande caranguejo de cor cinza-azulada que habita as margens internas dos manguezais, em terra firme, em locas que podem chegar até 9 metros de comprimento.

• Almofada – Pequeno caranguejo que vive somente sobre as árvores, camuflando-se nas cascas e se alimentando de folhas. Suas pinças são fracas, o que possibilita que ande até mesmo sobre o corpo humano sem causar dano.

• Aratu – Caranguejo de exuberante colorido vermelho, negro e branco, que costuma vagar pela lama na maré baixa, mas foge da água na maré alta, escalando as árvores. Pode ser pescado com vara, amarrando folhas ou carne na linha (sem anzol).

• Chama-maré – Pequeno caranguejo que cava buracos na lama ou na areia. O macho apresenta uma das puãs desproporcionalmente maior do que a outra. As fêmeas possuem as duas puãs pequenas. No período de acasalamento, o macho executa uma coreografia com essa pinça para atrair as fêmeas.

• Siri-de-mangue – Como todos os siris, vive sempre dentro d’ água, respirando como os peixes. É um carnívoro voraz, predador de pequenos peixes, com dentes afiados em suas puãs.

• Caranguejo uçá – É o caranguejo mais utilizado na alimentação, sendo, portanto, a espécie mais ameaçada. Sua cor varia de verde escuro ao amarelo, confundindo-se com as folhas de mangue. Vive em tocas cavadas na lama, saindo apenas para a reprodução ou para pegar folhas de mangue, seu único alimento.

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Para a conservação dos caranguejos nos manguezais, recomendam-se os seguintes procedimentos para a sua captura: não capturar as fêmeas; 2) não capturar caranguejos menores de 4,5 cm; 3)não capturar caranguejos no período de andada; 4) não utilizar redes para captura. Levando-se em conta essas recomendações, o envolvimento de pegadores de caranguejos na atividade de ecoturismo possibilita interessante demonstração da arte de captura desses crustáceos. Também podem ser vistos outros bichos, como: ostras, lambretas e sururus, moluscos utilizados na alimentação; gusanos, que perfuram a madeira; tamarus, crustáceos que se assemelham ao camarão; garças (aves azuis e brancas), sabacus (aves caçadoras noturnas) e guaxinins, mamíferos que se locomovem na lama e capturam caranguejos.

Como os manguezais são áreas de preservação ambiental permanente, nenhuma árvore deve ser cortada, nem a lama removida para facilitar o acesso ao turista. Como o fundo dos manguezais é de lama, os transportes náuticos devem transitar em baixa velocidade para evitar ondas impactantes, principalmente em canais sinuosos.

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